Dia Internacional da Mulher 2026

A igualdade de género continua por conquistar, incluindo na saúde sexual e reprodutiva. O Dia Internacional da Mulher é mais do que uma celebração: é um lembrete da luta histórica por direitos, condições de vida dignas e fim da discriminação, bem como dos desafios que ainda existem no acesso a cuidados, autonomia e informação.

O tema do International Women's Day 2026, “Dar para Ganhar”, destaca o poder da partilha de conhecimento, recursos e responsabilidade coletiva. Quando profissionais, instituições e comunidades investem na equidade, todas ganhamos na saúde, participação e qualidade de vida. Na SPDC reforçamos este compromisso através da prática clínica, formação e divulgação científica. Leia os testemunhos dos nossos médicos e junte-se a esta reflexão.


Dra. Teresa Bombas

No dia 8 de março vamos celebrar o Dia Internacional da Mulher, um dia dedicado a homenagear as conquistas das mulheres em todo o mundo, reconhecendo os muitos desafios ainda persistem.

Em Portugal, as mulheres têm sido pilares fundamentais da saúde ao longo de gerações — como médicas, enfermeiras, investigadoras, técnicas, cuidadoras e gestoras. Atualmente, são maioria entre os profissionais de saúde e desempenham um papel decisivo na sustentabilidade e na qualidade do nosso sistema de cuidados.

Celebrar este dia no contexto médico é reconhecer o contributo extraordinário das mulheres nos Serviços de Saúde. É também reconhecer que, apesar dos progressos, persistem desigualdades: no acesso a cargos de liderança, no reconhecimento académico, na progressão na carreira e na conciliação entre a vida profissional e pessoal.

Enquanto médicos, temos uma responsabilidade acrescida. Não apenas na promoção da igualdade dentro das nossas instituições, mas também na forma como cuidamos. A Medicina sensível ao género melhora diagnósticos, tratamentos e resultados em saúde. Ignorar as desigualdades de género é comprometer a qualidade dos cuidados que prestamos.

Este dia, reconhecido internacionalmente pela Organização das Nações Unidas, lembra-nos que a igualdade é um princípio de direitos humanos, mas também um imperativo científico, ético e profissional.

A saúde é um direito humano fundamental, e ainda milhões de mulheres em todo o mundo enfrentam barreiras que as impedem de aceder aos serviços de saúde de que necessitam.

No nosso País, o acesso à saúde reprodutiva enfrenta barreiras, as dificuldades são evidentes e conhecidas e são reclamadas pelos profissionais de saúde em nome das mulheres.

Celebrar o Dia Internacional da Mulher é, na Saúde, reafirmar o nosso compromisso com a dignidade, a equidade e o cuidado centrado na pessoa.

Uma saúde mais justa para as mulheres é uma saúde melhor para todos.


 
Dra. Fátima Palma

No Dia Internacional da Mulher celebramos direitos conquistados. Mas em Portugal, sabemos que esses direitos não são assim tão antigos.

Houve um tempo — não distante — em que a maternidade era destino quase inevitável. Em que o corpo da mulher era território pouco explicado, pouco protegido, pouco escolhido. Mudámos. Mudámos com educação. Mudámos com ciência. Mudámos com coragem. A contraceção foi uma das mudanças mais silenciosas — e mais transformadoras — da nossa história recente.

Ao longo da prática clínica, torna-se claro como uma decisão informada pode alterar um percurso inteiro. Jovens que puderam continuar a estudar. Mulheres que escolheram esperar. Mães que decidiram que a sua família estava completa. Mulheres com doença crónica que encontraram segurança. Sobretudo, vê-se tranquilidade nascer depois de uma conversa clara. Porque a contraceção não é apenas um método. É autonomia traduzida em medicina. É liberdade sustentada pela evidência. É dignidade aplicada à prática clínica. 
Num país que evoluiu tanto nas últimas décadas, a possibilidade de decidir quando ser mãe tornou-se um dos maiores pilares da igualdade real. E isso nunca deve ser banalizado.

Neste Dia da Mulher, celebramos também a responsabilidade de continuar a garantir informação rigorosa, acesso equitativo e decisão partilhada.

Porque quando uma mulher escolhe, não está apenas a planear o seu futuro. Está a romper com séculos de silêncio. Está a transformar biologia em consciência. Está a afirmar, com serenidade e força, que o seu corpo tem voz.

A verdadeira igualdade começa quando a maternidade deixa de ser destino e passa a ser escolha.


Dra. Mafalda Neves

O Dia Internacional da Mulher começou a ser celebrado em 1917, quando mulheres russas saíram às ruas exigindo melhores condições de vida e trabalho, num movimento que acabou por desencadear mudanças profundas. Só muitos anos depois, em 1975, a data foi oficialmente reconhecida pela ONU, reforçando o seu significado mundial.

Apesar de existir uma data oficial, o papel da mulher na sociedade faz com que este dia seja, na verdade, diário:As mulheres sustentam famílias, comunidades e profissões com dedicação contínua. Contribuem para avanços sociais, científicos, culturais e económicos.Lutam diariamente por igualdade de oportunidades e direitos Exercem múltiplos papéis com resiliência constante.

Celebrar o Dia da Mulher é importante, mas reconhecer o seu valor todos os dias é essencial. É no quotidiano que se constroem respeito, igualdade e reconhecimento real.

Hoje presto um profundo agradecimento a todas as mulheres que lutaram ,que enfrentaram o silêncio imposto, que desafiaram leis injustas, que marcharam nas ruas, que escreveram, ensinaram, cuidaram e resistiram quando o mundo dizia que não podiam. Cada direito conquistado (ao voto, à educação, ao trabalho digno, à autonomia sobre o próprio corpo e à participação plena na sociedade) não deve ser esquecido.

Que a memória de figuras como  Simone de Beauvoir, nos inspire a continuar avançando, com firmeza e solidariedade.

A todas as que vieram antes, às que estão hoje na linha de frente e às que ainda virão: obrigada pela coragem, pela persistência e pela esperança. A liberdade que temos hoje a elas se deve.

 
Dra. Ana Rosa Costa

No Dia Internacional da Mulher, celebramos a força, a resiliência e o papel indispensável que a mulher desempenha na família e na sociedade. Seja como mãe, profissional, líder ou cuidadora, a mulher tem conquistado espaço e reconhecimento, mostrando diariamente que competência não tem género.

Ao longo das últimas décadas, assistimos a avanços extraordinários na vida profissional das mulheres. Hoje, ocupam cargos de liderança, transformam áreas científicas e inovam em setores antes dominados por homens. E, claro, fazem tudo isso enquanto continuam a ouvir frases como: “Consegues só ver onde está a minha camisa?” – porque algumas tradições nunca morrem.

Entre as grandes conquistas femininas está também o acesso à contraceção moderna. A descoberta da pílula anticoncecional marcou uma verdadeira revolução: deu autonomia, liberdade e permitiu que as mulheres pudessem planear não apenas a maternidade, mas também o seu percurso pessoal e profissional. Foi um pequeno comprimido, mas um enorme passo para a igualdade.

Hoje celebramos não apenas o que já foi alcançado, mas também o que ainda está por vir. Porque quando uma mulher avança, a sociedade inteira avança com ela. E se há algo que a história já provou, é que nada é mais imparável do que uma mulher determinada — especialmente se for uma mulher determinada… e bem contraceptivamente planeada.

Feliz Dia Internacional da Mulher!

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